Uma viagem chamada Linux: 7 anos de liberdade! Fevereiro 9, 2008
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Me lembro como se fosse hoje, era um início de manhã, em uma sexta-feira e estava marcada minha entrevista de emprego, eu tinha 18 anos e tinha acabado de sair do dentista. Cheguei na empresa e fui entrevistado durante cerca de 30 minutos por duas pessoas, recebi as determinações, fui informado acerca de treinamentos eventuais, políticas gerais da empresa, etc, etc, etc.
Na segunda-feira eu comecei, e já não fui abordado por aqueles que me entrevistaram, mas sim pelos que seriam responsáveis pelo meu treinamento e acompanhamento na empresa. Um desses era todo paciente e queria me ensinar, o outro era impaciente e queria me jogar pela janela…a primeira pergunta do paciente foi “o que você sabe de computadores?”, minha resposta foi simples, eu era um usuário comum…nesse momento o impaciente perguntou de forma bem clara, “o que você sabe de Linux?”…eu respondi naturalmente que achava que o Linux era o sistema que tinha um pinguim como mascote…
…Ouvi um sonoro, “xi…isso não vai dar certo!!!”.
Mas deu, pois ambos foram geniais como tutores, um com sua paciência ao ensinar, e o outro com sua impaciência ao me colocar no meio de fogueiras para me testar. Como para dar suporte e atendimento aos clientes eu não precisaria imediatamente saber sobre Linux, redes, etc, passei por um processo de aprendizado sobre o que seria um computador, seus componentes, como funcionava, sobre Windows, e pude estar apto a entender como o usuário se comporta na utilização do sistema, assim como pude ver como o Windows é ruim!
Esse processo durou cerca de 1 ano, período este no qual flertei com o Linux através de meu tutor impaciente…o Leo, que me mostrava as novidades, as coisas que conseguia fazer, a segurança, velocidade, etc.
Foi o Leo que ao final desse processo disse que eu usaria como primeira distro, o Debian, para aprender logo de cara naquilo que ele sempre disse ser o melhor Linux e um dos mais encardidos (em termos de configuração).
O primeiro impacto foi de amor e ódio, pois tudo era muito lindo há muito tempo, mas também tudo era configurado na mão (modo texto), e sofri “o diabo” para conseguir ouvir músicas no meu Debian logo após instalado.
Dai pra frente só evolução, em seis meses eu já entendia como as coisas funcionavam, e tinha desafiado uma turma de graduação para provar na disciplina de marketing que o Linux era um produto, com diferentes marcas, que dava dinheiro sim, e que era melhor que os produtos da concorrência, como resultado, um trabalho com nota máxima e alguns novos adeptos da liberdade que eu já experimentava.
Um ano depois e eu já tinha começado um projeto pessoal, que consistia em gravar CD’s com Debian para amigos e qualquer um que eu conseguisse convencer a testar o sistema instalado no computador pessoal, sendo que eu mesmo instalava. Foi nessa época que fui apresentado ao Red Hat, e gostei, passando a utilizá-lo por quase um ano, e desafiando um professor da graduação provando em outro trabalho que rendeu publicação de artigo científico, que o software livre era a solução para a exclusão digital no país, como modelo e direção para facilitar o acesso à qualificação das massas, ao uso de computadores e utilização de internet, antes mesmo de que se falasse em PC Conectado ou Computador Para Todos.
Logo depois descobri o Kurumin, e as vantagens da utilização de um Live CD, fantástico, baseado no Debian, rápido e versátil, resultado, abandonei o Red Hat, e ai sim pude começar a distribuir CD’s sem me preocupar em instalar na máquina das pessoas, pois com o Live CD, o usuário poderia testar, brincar, criticar, sem causar danos ao conteúdo do HD, e ao mesmo tempo, em quase 100% dos casos, pedindo para instalar o Linux depois de acostumados, ou eles mesmos realizando a instalação.
Comecei a conhecer pessoas legais, geniais e importantes para a comunidade Linux brasileira, e resolvi que queria ter minha própria distribuição, meu portal de internet, e um projeto maior, nasceu assim em 2004 o Portal Giboia Linux e a idéia de uma distro Live CD baseada em Debian com ambiente Gnome. Infelizmente o projeto cresceu muito como portal, mas não como distro, até criamos uma versão para dispositivos Flash Disk como distro para roteamento, a GFL, mas a falta de tempo e equipe para desenvolvimento nos deixou limitados e centrados no portal, até que praticamente sozinho e sem tempo por questões acadêmicas, finalizei o portal.
Nesse projeto conheci muita gente boa, pessoalmente, e também pela internet, cito como mais importantes desses, o Scorpion do Underlinux e o meu companheiro de causa, Augusto Campos do Br-Linux, pessoas que não conheci pessoalmente, mas que por e-mail e por msn, me ajudaram nos momentos que precisei, com dicas, e principalmente, amizade.
Hoje, não atuo tanto como gostaria e deveria por falta de tempo, e sei que mesmo aquilo que já fiz, talvez não tenha sito tão relevante, mas dentro de minhas limitações continuo divulgando versões Live CD, continuo instalando Linux pra quem quer e para quem consigo elucidar as dúvidas e mitos, continuo divulgando eventos, install fests, e iniciativas, e distribuindo CD’s com Ubuntu, que aliás é minha atual distribuição.
Acho que é isso, e o principal que venho colocar aqui é que este espaço, esta casa nova, meu Blog está à disposição de todos aqueles que quiserem divulgar algum evento, iniciativa, projeto ou simplesmente, que quiserem compartilhar alguma informação desse mundo de liberdade.
Um abraço a todos!
Ivan Ferreira